A Batalha dos Supremos
Era uma vez, em um mundo não muito distante, um ministro chamado Alexandre de Moraes Elektro. Ele não era um simples juiz, mas sim um titã do pensamento jurídico, um colosso das leis, aquele que manejava a Constituição como um guerreiro empunha sua espada. Elektro, como o chamavam, possuía um poder inigualável sobre as palavras e as instituições, moldando o destino de seu país com sentenças afiadas como lâminas.
Do outro lado do oceano, uma superpotência observava. Os Estados Unidos não viam com bons olhos um juiz que desafiava suas influências e estabelecia sua própria ordem. Para enfrentá-lo, enviaram sua maior arma: Superman.
O Homem de Aço, defensor da justiça e do "american way of life", chegou voando sobre os céus da capital do Brasil, com sua capa esvoaçante e o símbolo de esperança em seu peito. Elektro, no entanto, não se intimidou. Olhou para cima, ajeitou sua toga e, com um simples despacho, declarou que o alienígena de Krypton estava atuando fora das normas do território nacional.
A batalha começou. Superman, com sua força descomunal, tentava dobrar as leis do Brasil, mas Elektro tinha uma arma secreta: o poder das decisões monocráticas. Com um único despacho, ele proibiu o uso da visão de calor sem autorização judicial e declarou ilegal a supervelocidade em perímetros urbanos. Superman, confuso, viu sua liberdade ser restringida por parágrafos e artigos que surgiam no ar como feitiços jurídicos.
A trupe dos Estados Unidos tentou interferir, enviando drones, sanções e notas diplomáticas, mas Elektro era incansável. Com um novo parecer, congelou contas, bloqueou redes sociais e impôs sigilo de 100 anos sobre qualquer dado que pudesse ser usado contra ele.
Superman, finalmente, entendeu. Contra a força bruta, Elektro impunha a caneta. Contra a velocidade, o processo. Contra o voo livre, o habeas corpus. Não era uma luta física, mas sim um embate entre a velha e a nova ordem, entre o super-herói e o super-ministro.
No fim, exausto e burocraticamente derrotado, Superman voltou para Metrópolis, reconhecendo que, às vezes, nem mesmo os deuses podem dobrar certas leis.
E Elektro, triunfante, apenas sorriu.
Augusto Santos
Comentários
Postar um comentário